Caneta consegue identificar um câncer em 10 segundos

12.09.2017

Dispositivo portátil permitiria que cirurgia para retirada de tumor seja feita de forma mais rápida, segura e precisa.

Cientistas da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, desenvolveram uma caneta que pode identificar células cancerígenas em dez segundos.

Segundo eles, o dispositivo portátil permitiria que a cirurgia para a retirada seja feita de forma mais rápida, segura e precisa.

Os cientistas esperam que a tecnologia seja mais uma ferramenta à disposição dos médicos para evitar a reincidência do câncer.

O estudo foi publicado na revista científica Science Translational Medicine. Testes indicam que a caneta oferece um resultado preciso em 96% das vezes.

O MasSpec Pen se aproveita do metabolismo singular das células cancerígenas. A química interna dessas células, que crescem e se espalham muito rápido, é muito diferente da de um tecido saudável.

Como funciona

A caneta toca em um tecido cancerígeno e libera uma minúscula gotícula de água. As substâncias químicas presentes nas células vivas se movem, então, para a gotícula, que é sugada de novo pelo objeto para análise.

Em seguida, a caneta é conectada a um espectrômetro de massa – um equipamento que pode medir a massa de milhares de substâncias químicas a cada segundo.

O resultado é uma espécie de “impressão digital química”, a partir da qual os médicos podem concluir se se trata de um tecido saudável ou de um tumor.

Esse é maior desafio dos cirurgiões: descobrir a fronteira entre um câncer e um tecido normal. Isso porque, apesar de em muitos casos ser fácil detectar um tumor, em outros, o limiar entre o tecido doente e o saudável não é tão visível.

Retirar apenas uma parte do tecido pode fazer com que as células cancerosas remanescentes deem origem a um novo tumor. Mas remover muito tecido pode causar graves danos, especialmente em órgãos como o cérebro.

Testes

A tecnologia foi testada em 253 amostras como parte do estudo. O plano é continuar os testes para aprimorar o dispositivo antes de usá-lo durante cirurgias no ano que vem.

Enquanto a caneta por si só é barata, o espectrômetro de massa é caro e volumoso.

“O obstáculo é o espectrômetro de massa, com certeza”, disse Eberlin.

“Estamos desenvolvendo um espectrômetro de massa um pouco menor, mais barato e adaptado para este fim, que possa ser transportado dentro e fora dos quartos com relativa facilidade”, completou.

O MasSpec Pen faz parte de uma série de dispositivos com o objetivo de melhorar a precisão cirúrgica. Uma equipe do Imperial College de Londres desenvolveu uma faca que “cheira” o tecido que corta para determinar se está removendo o câncer.

Já uma equipe da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, está usando lasers para analisar quanto de um câncer cerebral pode ser removido.

Fonte: g1.globo.com

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