CONHEÇA O MAESTRO JOÃO CARLOS MARTINS E SUA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

23.01.2018

Com 20 poucos anos, João Carlos Martins era um dos pianistas mais aclamados de todo o mundo, sendo, notoriamente, considerado o melhor interprete de Bach da sua geração. O maestro já havia se apresentado no famosos Carnegie Hall e inaugurou o Glenn Gould Memorial em Toronto, quando se viu privado de realizar o que amava.

Em 1965, Martins vivia em Nova Iorque, quando foi convidado para integrar o time profissional da Portuguesa em um treino realizado no Central Park. Toda felicidade por jogar pelo seu time de coração se transformou em desespero em apenas um segundo. Uma jogada isolada, um lance tido como normal, uma queda aparentemente boba, uma perfuração na altura do cotovelo que atingiu o nervo ulnar.

Esse “pequeno acidente” provocou atrofia em três dedos de sua mão, impossibilitando-o de tocar seu amado piano por um ano inteiro. A recuperação foi longa e complicada, fazendo com que o maestro tocasse com dificuldade até os 30 anos.

Salvo pelo piano

João Carlos Martins foi submetido a uma cirurgia de retirada de um tumor benigno do pescoço, quando tinha apenas cinco anos. Uma operação malsucedida o deixou com uma fístula na pele por onde vazava o alimento sempre que comia.

Essa foi uma época difícil e que o tornou um garoto complexado. Ao perceber o seu comportamento o pai do garoto o presenteou com um piano. O primeiro professor foi seu pai, cujo principal ensinamento foi: “Nós vamos perseguir o sonho de você se curar e você ficará curado”. Aos 8 anos, João Carlos Martins passou pela segunda cirurgia e ficou bom, ganhou mais confiança e se dedicou ainda mais ao piano, onde se sagrou como um dos maiores virtuosos.

Sempre lutando e vencendo

Depois do acidente no Central Park, João Carlos Martins voltou ao Brasil, onde começou uma carreira como empresário de música e boxe. Após longos períodos de fisioterapia, o maestro voltou aos palcos e, mesmo com a dificuldade, as críticas eras as melhores possíveis. No entanto, novamente foi impossibilitado de tocar o piano devido à distúrbios osteomusculares relacionados aos trabalhos (Dort).

Mesmo com mais uma adversidade, o nosso herói não desistiu de sua carreira, fez diversas adaptações e voltou a tocar em 1979. Mesmo nesse período de adaptação, até 1885, realizou 10 gravações de Bach, conseguindo gravar posteriormente praticamente todas do famoso compositor alemão.

Nunca é tarde para recomeçar

Em 1995, mais uma vez João Carlos Martins foi derrubado pelo destino e mais uma vez se recusou a ficar no chão. Durante um assalto na cidade de Sófia na Bulgária, o maestro foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro. A pancada comprometeu seriamente o seu braço direito. Depois de alguns processos cirúrgicos foi necessário cortar a ligação entre o cérebro e o membro, comprometendo seus movimentos para sempre.

O que foi que o feito pelo maestro depois disso? Gravou o álbum “Só para Mão Esquerda”. Todas as composições contidas nele foram de Paul Wittgenstein, que perdeu o mesmo membro na Segunda Guerra Mundial. Sua ideia era gravar 8 álbuns com essa temática, porém, foi descoberto um tumor em sua mão esquerda.

Aos 63 anos, ouviu do seu médico que nunca mais tocaria piano. Nesse momento, morre um pianista e nasce um maestro. No dia seguinte, João Carlos se inscreveu em aula de regência e se apresentou em Paris e Londres, formou a orquestra Bachiana Filarmônica, trabalhou com jovens carentes dos bairros da periferia de São Paulo, sempre se lembrando do que seu pai dizia: “Persiga seu sonho que um dia ele virá atrás de você”.

Fonte: José Roberto Marques – ibc coaching

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