Paralimpíada: Batalha pela vida que começou na infância

01.09.2016

Nadador Phelipe Rodrigues é o personagem da série de reportagens da Folha sobre atletas paralímpicos

Embora tenha apenas 26 anos, Phelipe Rodrigues já se tornou um velho conhecido da natação paralímpica. Esta será a sua terceira participação no evento. Em Pequim-2008, conquistou medalha de prata nos 100m e nos 50m livre. Também alcançou o segundo lugar nos 100m livre nos Jogos de Londres-2012. O pernambucano, terceiro atleta da série da Folha de Pernambuco sobre os nove atletas que vão representar o Estado na Paralimpíada, está firmado na modalidade e chega à Rio-2016 como esperança de mais um pódio para o Brasil. Mas no início, quando caiu pela primeira vez na piscina, o nadador foi obrigado a enfrentar todos os seus pudores.

O recifense nasceu com má formação no pé direito e teve que passar por duas cirurgias para recolocar o membro na posição correta. No processo, Phelipe acabou sofrendo uma infecção hospitalar e quase perdeu o pé. Resistiu para começar a praticar a natação por ter vergonha de expor o resultado do processo cirúrgico. Ainda não sabia lidar com aquilo. Mas ao mergulhar na água, não teve mais como voltar atrás: o pernambucano começara ali a transformar a sua vida.

“Tentei todos os esportes. Sempre fui uma criança ativa, e desde então sempre me vi fazendo alguma coisa. Inclusive, cheguei a treinar com pessoas sem nenhum tipo de deficiência, conseguindo ser campeão e recordista paraibano”, disse Phelipe, que passou boa parte da vida morando em João Pessoa. Ele conheceu o paradesporto em 2008, período em que ingressou na seleção paralímpica brasileira para não mais sair dela. Desde o primeiro contato que teve com os companheiros de equipe, percebeu a importância do esporte na sua reabilitação. Na carreira, o atleta coleciona 14 medalhas em campeonatos mundiais e nove em Parapan-americanos, sendo cinco de ouro e quatro de prata.

“Me dei conta do tempo que perdi me lamentando por algo tão pequeno. Todos aqueles atletas com alguma limitação física juntos despertaram em mim um sentimento de orgulho e de que para todos os problemas há uma solução. Mesmo faltando membros, em cadeira de rodas ou cegos, estavam ali fazendo o que gostavam. Ali eu estava vislumbrado com a mudança que tinha ocorrido na minha vida”, confessou, em uma postagem pessoal publicada no portal Brasil 2016.

Phelipe cai pela primeira vez nas águas da piscina do Estádio Aquático do Rio de Janeiro no dia 9 de setembro, para competir os 50m livre. No dia 13, tenta um lugar no pódio nos 100m livre. O pernambucano deve fechar a sua participação paralímpica nadando os revezamentos 4x100m livre 34 pontos e 4x10m medley. Seis atletas da seleção brasileira disputam as quatro vagas, que serão definidas pelo treinador no dia da prova.

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